Igreja N. S. da Glória do Outeiro





Construída em 1739, esta igreja foi local de batismo de D. Pedro II. Do alto do Morro da Glória tem-se uma belíssima vista do Centro e Zona Sul.

Ladeira da Glória 135, Glória
(2a/6a: 8h-12h e 13h-17h; sábado/domingo: 8h-12h)



Igreja da Glória do Outeiro- Rio de Janeiro, Tesouro Barroco Restaurado

Azulejos da Igreja da Glória do Outeiro são devolvidos à população inteiramente recuperados

Igreja da Glória 

Uma preciosidade do barroco carioca foi entregue totalmente restaurada à população. No último 23 de junho, uma cerimônia com a presença do ministro da Cultura, Gilberto Gil, marcou o encerramento dos trabalhos de restauração dos 8 mil azulejos da Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, considerado o conjunto mais importante existente no Rio de Janeiro e um dos mais destacados do Brasil. 


Os trabalhos de restauração, iniciados em fevereiro de 2002, duraram 18 meses e foram patrocinados pelo BNDES, que participou com R$ 1,3 milhão, e pela Petrobras, com R$ 200 mil. O projeto foi executado pela Fundação Ricardo Espírito Santo Silva, entidade sediada em Portugal, com larga experiência em conservação e restauro de mobiliários e azulejos, tendo já recuperado o interior da Igreja de Santo Antônio de Igarassu, em Pernambuco, e os azulejos do Convento da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, em Salvador, Bahia.


Igreja da Glória 

Instalados em 1739, os azulejos da Glória se encontravam em péssimo estado de conservação. As peças estavam impregnadas de sujeira, cloretos, nitratos, gesso, resíduo de velas, microorganismos, fungos e brometos. O maior problema era a grande quantidade de sal, devido à proximidade do mar e ao fato dos azulejos terem vindo de Portugal de navio mergulhados na água. 


O passar dos séculos foi cruel aos azulejos do Outeiro da Glória: a umidade excessiva danificou a superfície dos painéis. A argamassa de qualidade inferior e a falta de espaçamento entre as peças também prejudicaram o conjunto. "Deve ter havido problema de cálculo e o desenho excedeu o tamanho das paredes. Para caberem, foram colocados muito juntos, sem espaço para a cerâmica respirar", explicou a presidente da Fundação Espírito Santo, Maria João Espírito Santo.


Para recuperá-los, foi necessário retirar as peças uma a uma. Na primeira fase, todas foram limpas com água destilada. Depois, as pinturas foram restauradas. Segundo o coordenador da restauração, Duarte E. Santos, 417 réplicas tiveram que ser feitas para substituir as peças quebradas ou em estado precário. 


Igreja da Glória 

Os trabalhos foram desenvolvidos por uma equipe formada por técnicos portugueses e brasileiros, composta por uma engenheira química, dois historiadores da arte, quatro técnicos de conservação e restauro, cinco artífices qualificados, além de quatro estagiários.


Na cerimônia de encerramento das obras, além do ministro Gilberto Gil, estiveram presentes o presidente do BNDES, Carlos Lessa, a presidente da Fundação Espírito Santo, Maria João Espírito Santo Bustorff Silva, e o vice-governador do Rio, Luiz Paulo Conde. Os presentes assistiram à missa solene, rezada pelo capelão, Sergio Costa Couto, e ao concerto da cravista Rosana Lanzelotti. 


Um conjunto de "extraordinária harmonia compositiva"


Os 8 mil azulejos da Igreja da Glória do Outeiro, datados de 1743, são atribuídos ao mestre ceramista Valentim de Almeida, expoente do período do Barroco. Os azulejos formam 61 painéis historiados, que substituem a talha como ornamentação e decoram a sacristia, a nave, o altar-mor e o coro da Igreja.


Igreja da Glória 

O conjunto impressiona pela sobriedade. Os painéis apresentam desenho monocromático azul sobre fundo branco. Os da nave e do altar-mor foram executados entre 1735 e 1740 e retratam cenas inspiradas no Cântico dos Cânticos, do Antigo Testamento, uma temática bastante comum na azulejaria portuguesa. São cenas pastoris que têm como figura central a apaixonada Sulamita, rodeada de suas companheiras e um anjo, tocando instrumentos ou construindo guirlanda de flores, num cenário de jardins.


Nos painéis de azulejos do coro, executados entre 1740 e 1745, aparecem personagens do Antigo Testamento, como Judas, Feres, Isaac, Aminabad, Aram e Naazan, em um cenário de paisagens. Na Sacristia há uma barra de azulejos com cenas profanas de caça ao javali. Segundo o especialista em azulejaria, José de Monterroso Teixeira, os painéis da Glória integram o ciclo dos grandes mestres da azulejaria e são típicos de um barroco amadurecido.


Em seu importante trabalho "Arquitetura Religiosa Colonial no Rio de Janeiro", a historiadora de arte Sandra Alvim classificou os azulejos do Outeiro da Glória como "elemento estruturador do volume interno" e de "extraordinária harmonia compositiva". Para Sandra, "com seu desenho composto por volumosas curvas, sua cor azul e sua continuidade ao longo da nave e capela-mor, os azulejos do Outeiro da Glória quebram a rigidez da construção, definida por planta de nave poligonal".




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