PARCEIROS

História da Iluminação Pública da cidade do Rio de Janeiro





SÉCULO XVIII - Candeeiro ou Vela 

No período anterior ao Conde de Resende, Vice-Rei do Brasil (de 1790 a 1801), a cidade do Rio de Janeiro não possuia sistema de iluminação oficial. Apenas à iniciativa particular se devia a instalação, nas esquinas, de oratórios rústicos, em cujos nichos se acendiam velas de cera ou mesmo candeeiros de azeite.

Quem quisesse andar nas ruas de noite – caso raro naqueles tempos em que se dormia à hora das galinhas – utilizava-se de archotes ou lanternas de mão, carregadas por escravos. [Roberto Macedo].

FINS DO SÉCULO XVIII - Iluminação Pública

Até fins do século XVIII, a iluminação do Rio de Janeiro consistia, unicamente, em oratórios murais, conforme se vê na imagem que segue, em que se ascendia o candeeiro de óleo de baleia ou uma vela de cera.

Rua da Alfândega e Regente Feijó
Foi na administração do Vice-Rei Conde de Rezende D. José Luís de Castro que se mandou colocar os primeiros candeeiros públicos, à custa do governo, na proporção de dois por logradouros, salvo nas ruas de maior movimento, onde se erigiram quatro. Funcionavam por meio de azeite de peixe. De acendê-los e apagá-los, às primeiras horas da noite e do dia, eram incumbidos escravos. [Roberto Macedo].

O que aparece na imagem ao lado, ficava na esquina da Rua da Alfândega e Regente Feijó, construído por volta de 1710 e, nos seus quase 200 anos de existência, foi demolido em 1906.

Rua da Alfândega - Iluminação a azeite 
1817 - Rua da Alfândega

Ao lado, belíssima aquarela de cerca de 1817, de autoria de outro grande mestre, Thomas Ender, com um dos nossos antigos lampiões de iluminação a azeite, aceso, em uma das esquinas da rua da Alfândega.


Lampião a “azeite de peixe” 
1820 - Iluminação a azeite

A aquarela ao lado, de cerca de 1820, de autoria do Mestre Jean Baptista Debret, nos oferece uma boa imagem da Iluminação Pública da Cidade, na primeira metade do século XIX. Um lampião a “azeite de peixe”, segundo uma expressão da época, que foi utilizado até o advento do gás em 1854. Aos poucos foram sendo substituídos pelos lampiões à gás. Percebe-se na gravura ilustrativa, o mecanismo utilizado para baixar o lampião a uma altura onde uma segunda pessoa o acenderia, caso estivesse por anoitecer, ou apagaria, logo pelo amanhecer.

Imperial Teatro de S. Pedro 
1824 - Tentativa de se iluminar a gás

Em 1824, dois ingleses Charles Grace e Willian Glegg Grower, tentaram estabelecer a iluminação a gás, na cidade. Assinaram um contrato com privilégio de vinte anos. Não teve execução.

A imagem ao lado data de cerca de 1824, uma gravura de Nicolas Edouard Lerouge, representando o então Imperial Teatro de S. Pedro (atual João Caetano) onde se percebe no segundo piso, logo acima do pórtico de entrada, com três arcos, as tochas ou luminárias presas às longas pilastras da ordem dórica, que sustentam no alto o frontão principal, arrematado entre eles, a arquitrave.

Chafariz da Carioca 
1833 - Chafariz da Carioca 

A imagem ao lado data de cerca de 1833, uma gravura do antigo Chafariz da Carioca, de William Smythe, anterior ao que pouco depois foi construído pelo Arquiteto Grandjean de Montgny. Percebe-se, à esquerda do chafariz, na primeira coluna anexa à murada da rampa de acesso ao Convento de Santo Antonio, um antigo lampião, ainda do sistema de azeite. Há nele a mesma engrenagem que vimos acima, com seu jogo de hastes, que possibilitava abaixá-lo para que podesse ser então aceso.


Praça Tiradentes 
1835 - Praça Tiradentes

A imagem, que data de cerca de 1835, de autoria do grande Jean Baptiste Debret, representa a antiga Praça da Constituição, atual praça Tiradentes, com o Pelourinho, no primeiro plano, no canto direito, e o Imperial Teatro S. Pedro (hoje João Caetano), adiante, quase no centro da imagem. Ao fundo, as torres da Igreja de São Francisco de Paula, no largo de São Francisco. No segundo sobrado, quase no centro da imagem, se vê preso à parede, um lampião, ainda no sistema de azeite, com as mesmas engrenagens das imagens de 1820 e 1833.


Convento da Ajuda 
1840 - Convento da Ajuda
Imagem de 1840, do antigo Convento da Ajuda, erguido por volta de 1750, projeto do brigadeiro José Fernandes Pinto de Alpoim. Ficava defronte à atual Cinelândia.

Diferentemente das imagens anteriores, onde sempre deparamos com os lampiões afixados nas paredes dos prédios, aqui vemos postes de luz, ainda em azeite, nas entradas principais do edifício.

Laranjeiras
Ao lado, outra magnífica imagem de 1840, uma gravura de o bairro das Laranjeiras, quase no seu limite com o do Cosme Velho, onde está a famosa Bica da Rainha, assim denominada porque teria sido freqüentada pela Rainha de Portugal D. Maria I. Ainda existe no mesmo local, à rua do Cosme Velho número 109. Justamente no bico da curva, bem defronte a fonte, está um poste de luz, ainda no sistema de iluminação em azeite.

No mesmo ano de 1840 assinou-se novo contrato para estabelecer a iluminação a gás na cidade do Rio de Janeiro, com John George Yung, com privilégio de cinqüenta anos. Também não teve execução.

No mesmo ano de 1840 assinou-se novo contrato para estabelecer a iluminação a gás na cidade do Rio de Janeiro, com John George Yung, com privilégio de cinqüenta anos. Também não teve execução.

Chafariz do Mestre Valentim 
1845 - Chafariz do Mestre Valentim

Nesta gravura de 1845, do Largo do Carmo, atual Praça XV de Novembro, se vê o famoso Chafariz do Mestre Valentim, que tinha a finalidade de abastecer a população e principalmente as embarcações, situando-se à beira do cais que ali se encontrava.
Erguido em 1789, percebe-se, à direita do chafariz, novamente um daqueles típicos lampiões, com suas engrenagens que permite abaixá-lo para que possa ser aceso.

1851 - Iluminação à Gás

Regula a matéria referente a Iluminação a gaz da Cidade do Rio de Janeiro, o contrato celebrado em 11 de Março de 1851, que foi renovado pelo ato de 13.10.1854.

1854 - Companhia de Gás

Somente em 1854 foi a cidade dotada da iluminação a gás, graças ao Barão de Mauá. Seu prédio principal, ainda existente, ficava no Aterrado, hoje Avenida Presidente Vargas. Empresário, Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá; e engenheiro, Willam Bragge.

No dia 25 de Março de 1854, conduzido através de 20 quilômetros de encanamentos, o gás ia iluminar os primeiros combustores da cidade do Rio de Janeiro: Praça XV, Ruas 1.º de Março, Ouvidor, Rosário, Hospício, Alfândega, general Câmara e São Pedro. Dois meses depois, estava beneficiado todo o centro e as filas de lampiões se estendiam até ao próprio Mangue.

Fábrica de Gaz
A gravura retrata a Fábrica de Gaz, no antigo Caminho do Aterrado, concebida pelo Barão de Mauá na década de 50 para introduzir a iluminação a gás na cidade, em substituição à queima de azeite. A Usina passou para mãos estrangeiras a partir de 1865. A gravura é anterior à abertura do Canal do Mangue, cujas obras tiveram início em 1857. Além do incêndio de 1889, sofreu sucessivas reformas que lhe modificaram sua fachada. Mantém ainda a torre original com relógio. Em 1969, já sob o controle do estado, passou a chamar Companhia Estadual de Gás. O prédio ainda existe – Avenida Presidente Vargas 2.610, tombado pelo Patrimônio Histórico Estadual em 1990.

Belvedere
Na magnífica gravura ao lado, que também data de 1854, feita por Jacttet, temos uma visão do antigo belvedere que se construiu no passeio público, para que os visitantes pudessem admirar a bela paisagem marinha da baía de Guanabara. No fundo, um dos dois pavilhões ali construídos, onde ficavam expostas as belas aquarelas ovais de Leandro Joaquim. Na murada próxima ao pavilhão, uma seqüência de postes de iluminação, talvez já no sistema de Globe-Gaz.
 
Largo do Carmo 
1860 - Largo do Carmo 

Outra bela imagem do Largo do Carmo, hoje Praça XV de Novembro, de 1861, litografado pelo explêndido Victor Frond. À direita, no canto da imagem, um posto de iluminação, já no sistema de iluminação Globe Gaz, e que ficava muito próximo ao Chafariz do Mestre de Valentim, que vimos na imagem do ano de 1845. Ao fundo, da direita para esquerda, as Igrejas da Ordem Terceira do Carmo e a então Catedral (do Monte do Carmo). No primeiro plano, à esquerda, a fachada principal do Paço Imperial.

Paço Imperial 
1865 - Paço Imperial 

Outro grande projeto do Brigadeiro José Fernandes Pinto Alpoim – o Paço Imperial, erguido por volta de 1745, para servir de Casa do Governador, então Gomes Freire de Andrade. Nesta fotografia de Vedani vemos um corredor de Postes de Iluminação, na fachada do Paço Imperial, voltada para o Largo do Paço, hoje Praça XV de Novembro.


1870 - Orçamento para a iluminação

Em 1870, o serviço de iluminação pública continuava a ser feito por 5.036 combustores, em nada mudando com relação ao ano anterior, não obstante as reclamações dirigidas ao governo imperial, tanto pelas autoridades policiais, como pelos moradores das localidades, em razão da elevada despesa, que este ramo do serviço público exigia, principalmente nas circunstâncias daquela época, em que a baixa do câmbio aumentava sensivelmente os sacrifícios do Tesouro Nacional.

A despesa com este serviço orçou no ano de 1870 em 818:695$558, sendo:
Com illuminaçao das praças e ruas da cidade:..... 811:025$419
Com a do jardim do Passeio Público..................... 2:376$418
Com a do jardim da praça da Constituição............ .1:558$943
Com a remoção de combustores......................... 2:391$500


Iluminação a azeite

Embora a cidade se modernizasse com a instalação da iluminação a gás, o processo de iluminação a azeite de peixe não morreu logo que se inaugurou a iluminação a gás, e ainda no ano de 1870 continuava-se a fazer-se este serviço de iluminação pelo sistema de administração.

Os lampiões empregados neste sistema eram em número de 169.

Durante o ano de 1869 despendeu-se com este serviço a quantia de 14:623$185, sendo 7:587$013 com o vencimento do pessoal dele encarregado, e 7:036$182 com o consumo de azeite e outros objetos. Em 1870, a despesa para cada lampião era cerca de 96$ por ano.

1873 - Insuficiência de iluminação

No ano de 1873 o serviço de iluminação pública a gás ainda não satisfazia às necessidades da população da Cidade do Rio de Janeiro, apesar de já existirem 5.121 combustores.

A insuficiência da intensidade da luz exigida no contrato que regia este serviço, as excessivas distâncias que os combustores ficavam entre si, mesmo em algumas das ruas de maior trânsito, e, finalmente, a falta absoluta de iluminação em outras, situadas nos bairros suburbanos, vinha provocando reclamações dos particulares e até de algumas autoridades.

O governo, conquanto reconhecia os defeitos e lacunas existentes, limitava-se em atender às solicitações mais urgentes, para não aumentar a despesa, já muito avultada, que representava este serviço.

Neste ano de 1873, achava-se terminado o assentamento das linhas de tubos de grande diâmetro destinados a reforçar a iluminação dos bairros do Catete, Botafogo e São Clemente, e anunciava-se que em breve começaria a ser estabelecida nova linha de tubos de 0,5m de diâmetro desde a fábrica até a rua Primeiro de Março, a fim de ser também reforçada a iluminação desta parte da cidade.

1874 - Inspetoria Geral de Iluminação Pública

Por Portaria de 30 de Maio de 1874, foi nomeada uma comissão, composta pelos Drs. Epifânio de Souza Pitanga, Luiz Augusto Monteiro de Barros e Augusto Paulino Limpo de Abreu, para examinar o serviço de Iluminação Pública da Cidade do Rio de Janeiro, e formular as bases de um novo contrato, tendo em consideração o aumento de intensidade de luz e diminuição do seu preço. Nascia a Inspetoria Geral de Iluminação Pública.

A 20 de novembro de 1874 a comissão apresentou seu relatório, acompanhado das bases que lhe pareceram aceitáveis, para o novo contrato. Na conclusão deste relatório exprimiu-se ela nos seguintes termos:

“Offerecemos bases para organizar-se uma empreza que, tirando um lucro vantajoso de seus capitães, dê ao habitante da corte luz de optima qualidade por preço razoável, sem motivar, entretanto, o queixume da população, que até uma certa época teve seu fundamento na insufficiencia da producção do gaz para abastecimento da grande área de illuminação, e encontrou uma justificação no estado dos apparelhos de purificação, felizmente quase completamente reconstruídos pela actual gerencia da companhia.”
Finalmente, neste ano de 1874, a Companhia de Iluminação a Gaz diluiu 34.297,94 toneladas métricas de carvão para produção do gás consumido na cidade. A iluminação pública despendeu por sua parte 1.848,966 metros cúbicos do gás produzido pela fábrica.

Iluminação a azeite

Neste ano de 1874, o serviço de iluminação a azeite, que ainda funcionava, compreendia 9 distritos da cidade e 519 combustores, e, apesar dos embaraços que lhe eram inerentes, foi executado com regularidade.

1876 - O Gaz-Globo (Globe Gaz)
Por contrato celebrado em 18 de novembro de 1876, entre o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas e o empresário Cláudio José da Silva, obrigou-se este a iluminar por 5 anos os subúrbios da capital, mediante o emprego do sistema Gaz-Globo extraído do óleo de nafta, colocando combustores apropriados, em substituição dos 633 lampiões existentes na iluminação a azeite; e bem assim a aumentar a área de iluminação, que em 31 de dezembro de 1876 era de 37 quilômetros, conforme determinar o Governo Imperial.

O poder iluminante médio, tomado na fábrica no ano de 1876, foi de 9,95 velas de espermacete das que queimam 7,8 gramas por hora; e, segundo as observações fotométricas efetuadas no escritório do fiscal do governo, de 9,29; donde se infere que a chama dos combustores se manteve acima da mínima intensidade exigida pelo contrato.

Colocaram-se no ano de 1876 11.923 metros de canos de ferro fundido de diversos diâmetros; uns para reforçarem os que eram insuficientes ao suprimento do gás, outros para levá-lo a diversos pontos.

1877 - Iluminação dos subúrbios
Em 23 de setembro de 1877, foi inaugurado o serviço de iluminação dos subúrbios cariocas, mediante o emprego do sistema Gaz-Globo extraído do óleo de nafta, com 633 combustores, conforme havia sido contratado com o empresário Cláudio José da Silva.

O Gaz-Globo
O serviço da iluminação a Gaz-Globo ou Globe Gaz, naquele ano de 1877, compreendia 11 distritos, divididos em 36 seções, tendo um pessoal de 11 guardas, servindo um de fiel, 36 acendedores e dois serventes. Enquanto isso, no mesmo ano de 1877, a Antonio da Costa Ferreira Mondego & Cia., anunciava a importação, por conta própria, de lampiões, querosene e tudo o que pertence a iluminação.

Também a empresa Ribeiro Chaves & Cia, anunciava a venda de produtos para a Iluminação a Giorno, para festejos públicos e particulares, copos de cores, lanternas, venezianas, desde 300 réis a dúzia.

1878 - Propaganda do Gaz-Globo
Segundo Relatório de 31 de dezembro de 1878, a iluminação dos subúrbios cariocas, no sistema Gaz-Globo, havia alcançado a marca de 1.128 combustores.
Em fins de 1879, os empresários H. Guimarães & Silva, anunciavam o seu valioso produdo:
Este systema de illuminação, actualmente adoptado em grande numero de cidades dos Estados-Unidos, tem ocorrido vantajosamente com o gaz corrente, e muitas pessoas lhe têm dado a preferência, em razão das seguintes vantagens que o GAZ-GLOBO proporcionou ao consumidor:
- Não depender de encanamentos nem de obras;
- Não estar sujeito á oscillação de câmbios ou enganos na marcação dos relógios reguladores;
- Estar prompto em todas as horas;
- Ter mais força e brilho que o gaz corrente;
O Governo Imperial contratou a illuminação dos subúrbios da Corte por este novo systema, que já funcciona em número superior a 1.100 combustores, em uma área de 40 kilómetros.

A estrada de ferro D. Pedro II tem todas as suas estações já illuminadas a GAZ-GLOBO. As cidades do interior, como S. João do Príncipe, Mar de Hespanha, Nova-Friburgo, Rezende, Barra Mansa, Parahyba do Sul, Macahé, Pindamonhangaba, Sorocaba e outras muitas, adoptarão o GAZ-GLOBO para illuminação pública, com reconhecida vantagem ao de kerosene, que usavão.

ATTENÇÃO
Previne-se ao respeitável público desta praça, assim como do interior, e especialmente aos Srs. Fazendeiros, que não confusão os nossos apparelhos para o GAZ-GLOBO com os que actualmente se vendem sob o nome de Novo-Gaz e outros, cujo liquido empregado é a GAZOLINA, matéria excessivamente explosiva, produzindo uma luz muito inferior e que não offerece as mesmas vantagens e garantias do GAZ-GLOBO.

Iluminação a azeite
Neste ano de 1878, a iluminação dos subúrbios cariocas era ainda a azeite.

1879 - Iluminação elétrica
Data de fevereiro de 1879, a primeira experiência realizada para dotar a cidade de iluminação elétrica, fato ocorrido na estação férrea D. Pedro II (atual Estação da Central do Brasil).

Nesse mesmo ano, foi realizada nova tentativa, nas oficinas do Jornal do Comércio.

1880 - O uso do Globo-Gás
Em fins de 1880, os empresários H. Guimarães & Silva, esclareciam o processo do uso do Gaz-Globo:
“A substancia empregada para o fabrico do Gaz-Globo é o Naphta com o qual enche-se o reservatório collocado na parte exterior do lampeão; d´ahi desce para o interior por um tubo munido de torneira e na extremidade encontra-se o apparelho que gera o gaz.
O processo para formar o Gaz-Globo é simples; o calor dispõe o gazometro a receber o Naphta, que em sua passagem se converte em vapor, o ar atmospherico, entrando no apparelho por dois pequenos orifícios, converte esse vapor em um gaz igual, senão superior no brilho e na qualidade, ao Gaz de Carvão.
A chamma é regulada por uma torneira, situada na extremidade superior do bico, que se gradua a capricho, dando uma luz clara, brilhante e intensa. Um litro de Naphta é suficiente para 18 horas, dando uma chamma de intensidade de 14 velas, podendo essa qualidade durar mais tempo reduzindo-se a força da luz.
O Naphta é líquido especialmente tratado para funccionar unicamente em nossos apparelhos. É necessário não confundir com a Gazolina, preparação muito semelhante. Qualquer outro líquido, a não ser o Naphta, não pode produzir gaz nestes aparelhos. Este gaz não dá fumaça nem cheiro, quando o apparelho funcciona bem.

1882
Em 30 de Junho de 1882, foi renovado o contrato com o empresário Cláudio José da Silva, obrigando-se a continuar o trabalho de iluminação dos subúrbios do Rio de Janeiro.

Segundo Relatório de 1883, a iluminação dos subúrbios carioca, no sistema Gaz-Globo, havia alcançado a marca de 1.879 combustores.

1883
Segundo Relatório de 1883, a iluminação dos subúrbios cariocas, no sistema Gaz-Globo, havia alcançado a marca de 2.068 combustores.

1884 - Paço Imperial à luz elétrica
Em 7 de abril de 1884, foi feita a instalação elétrica no Paço Imperial.
Luz Elétrica de Brush Cleveland
No mesmo ano de 1884, já havia cocorrência entre os empresários no ramo de iluminação. A Companhia de Luz Elétrica de Brush Cleveland, Ohio, sediada nos Estados Unidos, havia estabelecido um agente na Cidade do Rio de Janeiro, Peter Kurezyn.
Esta companhia fazia orçamentos para iluminação de cidades, fábricas, estabelecimentos particulares e fornecia os aparelhos precisos como máquinas dínamo-elétricas, lâmpadas, carbonos, reguladores automáticos e baterias ou pilhas para o depósito de eletricidade.

1887 - Companhia Força e Luz

Foi em 1887, que formou-se no Rio de Janeiro, a Companhia Força e Luz, constituída com capitais belgas, e que se propunha a iluminar as ruas da cidade, pelo sistema de acumuladores, método já idealizado pelo belga Edmund Julien.

Seus fins eram a aquisição e exploração dos privilégios obtidos no Brasil e na Argentina por Edmund Julien para a força motriz e luz por meio da eletricidade.

A venda dos aparelhos despertou grande curiosidade popular, sendo vendidos os primeiros, aos jornais: Gazeta de Notícias, Jornal do Commercio, O País, e ao teatro Lucinda.

Rua Frei Caneca
1894 - Rua Frei Caneca
Uma bela fotografia do Café Bilhares, na antiqüíssima rua Frei Caneca, com um dos seus antigos lampiões de parede, estrategicamente posicionados na esquina.



Avenida Central 
1906 - Avenida Central
Somente em 1.º de Janeiro de 1906, surgiu a iluminação na via pública, na recém aberta Avenida Central (hoje a festejada centenária Avenida Rio Branco), que foi iluminada de ponta a ponta. A iluminação elétrica foi feita pela firma Braconnott & Irmãos, que fora contratada pela Société Anonyme du Gaz.



postes de iluminação da Avenida Central

Ao lado, as propostas apresentadas para os desenhos (design) dos postes de iluminação da Avenida Central.




Avenida Central (Rio Branco)

Para executar o serviço a Braconnott instalou uma pequena usina termelétrica na Rua da Alfândega. Finalmente, uma imagem da Avenida Central (Rio Branco), já com os seus postes de iluminação, de acordo com a primeira figura.



Palácio Monroe
O majestoso Palácio Monroe, que figura em numerosos postais do final da Avenida Rio Branco, foi erguido em 1906 para a Terceira Conferência Pan Americana, servindo, posteriormente, para diversos órgãos públicos, sendo que o período mais significativo de sua existência foi quando abrigou o Senado Federal. O Obelisco, inaugurado em 14 de novembro de 1906, foi o marco da Avenida Central, primeiro nome da atual Rio Branco.


lampiões públicos - Beco de João Batista lampiões públicos - Rua Buenos Aires
1907 - A resistência 

Ainda em 1907, resistiam os antigos lampiões públicos, presos às paredes dos edifícios. Aqui, dois deles, um fixado em um dos sobrados do Beco de João Batista(à esquerda), nas proximidades do Largo de Santa Rita; e o outro na Rua Buenos Aires. Fotografias que datam de 1907.


Light and Power 
1911 - Light and Power

Em 1911, foi instalada na Avenida Passos, no local da antiga Companhia Carris Urbanos de bondes puxados a burro, a Light and Power – Companhia de Força e Luz do Rio de Janeiro.Pouco antes, em 1907, seu organizador Sir Alexandre Mackenzie e o prefeito Francisco de Souza Aguiar, firmaram o contrato de eletrificação das linhas de bonde, com exceção das linhas do Jardim Botânico, e instalação de energia elétrica da cidade. A primeira usina construída pela Light, foi a de São Marcos.

Teatro Municipal

1915-1945 - Uma luz na escuridão
O Teatro Municipal iluminado à noite por volta de 1915.



Cristo Redentor

A estátua do Cristo Redentor é inaugurada no dia 12 de outubro de 1931. O desenho final do monumento é de autoria do artista plástico Carlos Oswald e a execução da escultura é responsabilidade do estatuário francês Paul Landowski. O monumento ao Cristo Redentor no morro do Corcovado torna-se a maior escultura art-déco do mundo.



Praça Paris

A Praça Paris iluminada à noite por volta de 1945.



Pesquisa: Carlos Eduardo de Almeida Barata (Cau Barata)
Fonte: http://www.rjnet.com.br/rjiluminacaopublica2.php

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